BNA segura cotação do Kwanza

BNA segura cotao do KwanzaO governador do Banco Nacional de Angola afastou ontem qualquer desvalorização do Kwanza nos próximos meses, desmentindo assim rumores postos a circular nos mais diversos meios de comunicação nacionais e internacionais e nas redes sociais.
 
Walter Filipe esclareceu, em conferência de imprensa após a reunião ordinária conjunta das comissões económica e para a economia real do Conselho de Ministros, que não há razões para desvalorizar a moeda nacional, uma vez que as taxas de inflação, de câmbio e de juro estão controladas e registando-se uma redução no nível geral de preços.
O governador acredita que a taxa de inflação para este ano possa ficar em 15 por cento, dentro das previsões do Governo. Actualmente, a taxa acumulada está em 11,36 por cento. “É só ir aos supermercados para ver que os preços estão controlados e em alguns casos estão mesmo a cair, o que indica que as políticas que estamos a implementar estão a surtir os efeitos desejados e que são, principalmente, proteger o poder de compra das famílias mais vulneráveis”, exemplificou o governador do BNA. Além do controlo das taxas de inflação, de câmbio e de juro, Walter Filipe afirmou que outro factor que contribuiu para a estabilidade de preços tem a ver com o stock de bens alimentares e de matérias-primas que são suficientes para sustentar o poder de compra dos cidadãos.   
O governador do BNA afirmou ainda que o cenário actual é diferente do vivido nos meses de Junho e Julho de 2016 e acrescentou que a situação começou a inverter-se em Setembro do mesmo ano, depois das medidas de correcções efectuadas na política monetária e cambial. “Não temos necessidade de tomar medidas drásticas”, afirmou o governador, assegurando que a medida de estabilidade financeira vem também proteger as reservas internacionais líquidas, hoje em torno dos 22,4 mil milhões de dólares.
Na ocasião, Walter Filipe revelou que o BNA está a elevar a afectação de divisas para a agricultura e outros sectores que concorrem para o aumento da produção nacional. O objectivo, explicou o governador, é diversificar as fontes de divisas para o país. 
“Temos de entrar num novo ciclo virtuoso e produtivo”, afirmou, garantido que a estabilidade registada no mercado é também fruto de um diálogo permanente com as diversas entidades nacionais e com instituições internacionais como o Fundo Monetário Nacional e o Banco Mundial. 
Na reunião de ontem, orientada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, foram aprovadas  as propostas da programação Financeira do Tesouro, referente ao III Trimestre de 2017 e do Plano de Caixa Mensal de Julho de 2017, documentos que contêm as projecções de entrada e saída de recursos financeiros relativos ao período a que se reportam.  Outro documento aprovado ontem foi o relatório de balanço do Plano de Caixa do mês de Maio, cujas despesas foram executadas em 97 por cento do montante programado.
No domínio fiscal, as comissões analisaram o documento sobre as premissas do Orçamento Geral do Estado para 2018, com vista a definir o quadro macroeconómico de referência para o mesmo ano. O documento deve ser aprovado pela Assembleia Nacional em Dezembro deste ano para poder entrar em vigor no princípio de Janeiro.
Um comunicado final da reunião, indica que foi também apreciado o projecto da Pauta Aduaneira – Versão 2017, que tendo em conta a actual conjuntura do comércio regional e internacional procede ao ajustamento das taxas dos direitos de importação e exportação e do imposto de consumo, alinhando a Pauta Aduaneira às políticas macroeconómicas de diversificação da economia e ao Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias da Organização Mundial das Alfândegas.  No domínio da contratação pública, as comissões apreciaram o projecto de Decreto Presidencial que aprova a criação e regulamentação do Sistema de Contratação Pública Electrónica, estabelecendo as regras de funcionamento, gestão e de utilização das plataformas electrónicas pelas Entidades Públicas Contratantes, nos termos da Lei dos Contratos Públicos. 
As comissões apreciaram ainda o relatório de actividades do Governo referente ao I Trimestre de 2017, que avalia o seu desempenho no período 2013-2017 e proporciona as bases para a tomada de medidas correctivas que assegurem a realização eficiente e eficaz dos objectivos nacionais de desenvolvimento.
 
Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao