Alto-falante de grafeno produz som sem vibrar

Alto-falante de grafeno produz som sem vibrarAlto-falante sem vibração
 
Se você alguma vez pensou que o grafeno parece ser tão bom que só faltava falar, então não falta mais.
 
Mark Heath e David Horsell, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, desenvolveram um método pioneiro que usa o grafeno para gerar sinais sonoros complexos e controláveis.
 
Em essência, o sistema combina alto-falante, amplificador e equalizador gráfico, tudo em um chip do tamanho de uma unha e sem quaisquer partes móveis.
 
De forma mais simples, é um alto-falante que produz som sem precisar vibrar.
 
Alto-falante com amplificador e equalizador
 
Os alto-falantes tradicionais vibram mecanicamente para produzir o som, usando uma bobina móvel e uma membrana que movimenta o ar em torno dela para frente e para trás. É uma tecnologia que quase não mudou em mais de um século.
 
Já a nova técnica não envolve peças móveis. Uma camada do grafeno é aquecida e resfriada por uma corrente elétrica alternada que representa o som - a mesma corrente que chega ao alto-falante comum -, e a transferência dessa variação térmica para o ar faz com que ele se expanda e contraia, gerando as ondas sonoras.
 
Embora a conversão de calor em som não seja uma novidade, Heath e Horsell foram os primeiros a mostrar que esse processo simples permite que as frequências de som sejam misturadas, amplificadas e equalizadas - tudo dentro do mesmo dispositivo de tamanho milimétrico.
 
Termoacústica
 
Com o grafeno sendo quase completamente transparente, a capacidade de produzir sons complexos sem movimento físico pode "abrir uma nova geração dourada de tecnologias audiovisuais", diz a dupla, incluindo telas de celulares que transmitem imagens e sons.
 
"A termoacústica (conversão de calor em som) tem sido negligenciada porque é considerada como um processo tão ineficiente que não teria aplicações práticas. Em vez disso, nós focamos na forma como o som é realmente produzido e descobrimos que, controlando a corrente elétrica através do grafeno, não só conseguimos produzir som, mas também alterar seu volume e especificar como cada componente de frequência é amplificado. Essa amplificação e controle abre uma gama de aplicações no mundo real que não tínhamos previsto," disse Horsell.
 
Fonte: http://inovacaotecnologica.com.br

Diamantes geram milhões

Diamantes geram milhoesAprodução de diamantes atingiu em Março 719.719,96 quilates, o que resultou num encaixe de 88,578 milhões de dólares (cerca de 15 mil milhões de kwanzas), revela na edição de ontem a“Infogeominas”, publicação quinzenal do Ministério da Geologia e Minas.
 
A produção industrial representou 714.735,97 quilates ou 87,246 milhões de dólares, inferior em 6,64 por cento à de Fevereiro, de 765.538,38 quilates ou 83,936 milhões de dólares.
A publicação nota que a produção de Catoca, a maior mina de diamantes em operação em Angola, registou uma diminuição de 9,67 por cento face a Fevereiro, mas o valor das vendas aumentou devido à qualidade das pedras das minas Camutué, Lulo, Somiluana e Luminas.  A produção industrial teve origem em nove das 12minas em exploração, lideradas por Catoca(620.463,20 quilates), Cuango (32.058,38), Chitotolo (19.110), Somiluana (13.349,46), Calonda (8.818,99) Camutué (7.886), Luó (6.687,56),Luminas (4.809,22) e Lulo (2.945,86).
A produção artesanal representou 4.983,99 quilates ou pouco mais de 1,332 milhões de dólares, menos 83,67 por cento do que a produção de Fevereiro (de30.514,67 quilates), e menos 73,98 por cento que os 5,120 milhões de dólares obtidos nesse último mês. O preço A participação de apenas uma operadora e a escassez de divisas no mercado estão na origem da diminuição da compra de diamantes e a redução das receitas da exploração artesanal, afirma a “Infogeominas”, que aponta tambémas saídas ilícitas das gemas angolanas, principalmente pelas fronteiras com o Congo Democrático (país em que a disponibilidade de dólares é maior) e por via aérea. Em Março, as exportações angolanas de diamantes caíram para 413.302,69 quilates(ou 69,434 milhões de dólares), 58,61 por cento abaixo das remessas de Fevereiro de 998.676,67 quilates e menos 38,01 por cento do que os 112 milhões de dólares obtidos no mês anterior. 
Os países de destino dos diamantes em Março exportados por Angola, todos certificados pelo Processo Kimberley, foramos Emirados Árabes Unidos, com 89 por cento, Israel(com 10 por cento) e Suíça(1,00 por cento), indica apublicação, que refere a venda ao estrangeiro de 2.090 quilates de diamantes lapidados, por 1,210 milhões de dólares. As receitas fiscais de Março ascenderam em 2,39 por cento, para 6,577 milhões de dólares, face aos 6.423 milhões de dólares de Fevereiro. O preço médio da produção industrial foi de 123,07 dólares por quilate e o da produção artesanal de cerca de 579.
 
Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao

Comissão assume rédeas do processo

Comissao assume rdeas do processoA Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) deu um passo decisivo para a criação de um Parlamento da região.
 
O dossier está nas mãos de uma comissão criada de propósito para fazer as reflexões sobre o posicionamento e as funções do futuro órgão legislativo da região.
Este dado foi avançado por Fernando da Piedade Dias dos Santos, Presidente da Assembleia Nacional de Angola, que é o líder em exercício do Fórum Parlamentar da SADC. Fernando da Piedade Dias dos Santos disse que são necessárias “ideias claras” e que o Parlamento seja um órgão da SADC em “sintonia e coordenação” com a Cimeira dos Chefes de Estado.
“O que é preciso é sermos claros para que sejamos compreendidos por todos os membros. O importante é que tenhamos vontade no sentido de contribuir para a melhoria das condições de vida das populações”, defendeu o líder parlamentar angolano, que foi recebido em audiência sexta-feira pelo Chefe de Estado da Namíbia, Hage Geingob . Acompanhado dos líderes dos parlamentos do Zimbabwe, Ilhas Maurícias e do parlamento anfitrião, Fenando da Piedade Dias dos Santos aproveitou o encontro com o Presidente namibiano para agradecer o apoio que as autoridades namibianas têm dado ao fortalecimento do Fórum Parlamentar da SADC.
Na intervenção que fez na abertura do seminário de orientação aos novos membros da organização, Fernando da Piedade Dias dos Santos destacou o papel do Fórum Parlamentar da SADC, que considerou o “principal órgão de representação dos povos da região”, criado de acordo com os princípios de cooperação e solidariedade mútuas.
Angola assumiu em Novembro do ano passado a presidência do Fórum Parlamentar da SADC, sucedendo à Tanzânia, para um mandato de dois anos. Ao assumir o cargo, o líder parlamentar angolano apontou como uma das prioridades do mandato a inserção do português e do francês como línguas de trabalho. “A SADC é constituída por países que falam maioritariamente a língua inglesa, mas tem países lusófonos e um país que fala francês”, assinalou Fernando da Piedade Dias dos Santos, referindo-se à República Democrática do Congo (RDC) como país francófono.
O Fórum Parlamentar da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral foi criado em 1997, como uma instituição autónoma da SADC. Trata-se de um órgão regional interparlamentar composto por 13 parlamentos, que representam mais de 3500 parlamentares na região.O principal objectivo da organização é proporcionar uma plataforma para parlamentos e parlamentares no sentido de promover e melhorar a integração regional através da participação parlamentar.Os países com parlamentos representados no fórum são Angola, Botswana, RDC, Lesoto, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.
 
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Ciberataques à escala mundial

Ciberataques  escala mundialA empresa russa de segurança cibernética Kaspersky estimou em mais de 45 mil o número de ataques cometidos sexta-feira por “hackers” que usaram vírus do tipo “ransomware”, que afectou infra-estruturas de 74 países.
 
“Até agora registamos 45 mil ataques em 74 países. As cifras continuam a aumentar inusitadamente”, disse CostinRaiu, director da Equipa de Pesquisa e Análise Global da Kaspersky, no Twitter.
Raiu acrescentou que a mensagem do ciberataque, que afectou países como Espanha, Reino Unido, Turquia, Ucrânia, Brasil e a própria Rússia, está escrita em romeno, mas não por um nativo.
A Kaspersky, que produz softwares de segurança cibernética, enviou à agência Efe um comunicado no qual diz que identificou o “rootkit” (tipo de software malicioso, programado para se ocultar no sistema sem ser encontrado pelo utilizador ou por antivírus) utilizado para efectuar o ciberataque. 
Segundo o comunicado, o ataque indiscriminado aconteceu através de um sistema de propagação que utiliza uma vulnerabilidade detectada nos sistemas operacionais da Microsoft. O comunicado destaca que os “hackers” exigiram como recompensa 600 dólares em bitcoins, uma moeda virtual que não pode ser rastreada.
“O maior número de tentativas de ataque foi detectado na Rússia”, destacou a fonte.
Este tipo de vírus surge habitualmente por correio electrónico de “origem desconhecida”, com um documento em anexo e que o utilizador abre por engano e que depois bloqueia a rede de informática. O sistema bancário russo, vários ministérios e a rede ferroviária foram alvo do ataque informático, segundo diversos organismos do país.O centro de vigilância informática do banco central russo disse que “detectou um ataque proveniente de um grande número de computadores infectados por um programa malicioso”, segundo um comunicado do banco.O ataque “não foi identificado pelos sistemas de detecção de pirataria” dos sistemas bancários, acrescentava o comunicado.
No Ministério da Administração Interna russo cerca de mil computadores foram afectados, enquanto que o Ministério da Saúde disse ter conseguido fazer “uma verificação rápida no início dos ataques”. O segundo maior banco russo, o Sberbank, declarou que os sistemas tinham “detectado a tempo as tentativas de acesso às infra-estruturas do organismo”.O Ministério de Segurança Civil russo conseguiu, segundo a comunicação social, “bloquear todas as tentativas de ataques virais nos computadores”.
A sociedade do transporte ferroviário russa disse ter “localizado” um ataque, mas não precisou quais os estragos causados, garantindo que “a rede ferroviária e de passageiros funcionam como habitualmente”.
 
Hospitais no Reino Unido 
 
O director do Centro Nacional de Cibersegurança do Reino Unido (NCSC), Ciaran Martin, afirmou ontem que os seus especialistas trabalham “sem descanso” para restaurar os equipamentos do sistema de saúde pública afectados pelo ciberataque de grande escala.“Estamos conscientes de que os ataques a serviços críticos como o NHS (serviço de saúde britânico) têm um enorme impacto nas pessoas e suas famílias.Estamos a fazer tudo para restaurar esses serviços vitais”, disse Martin, num comunicado.
Dezenas de hospitais e centros de saúde na Inglaterra e Escócia viram os seus computadores bloqueados, o que obrigou a cancelar cirurgias e visitas médicas.
O chefe do NCSC, órgão ligado aos serviços de inteligência do Reino Unido, afirmou que o incidente faz parte de “um conjunto de ciberataques globais contra milhares de organizações e indivíduos em dezenas de países”.
Martin afirmou que o Centro Nacional de Cibersegurança britânico, inaugurado pela Rainha Isabel II em Fevereiro, trabalha “incansavelmente” com “parceiros internacionais e especialistas do sector privado para levar a resposta a estes ciberataques”.
 
Alerta na Alemanha
 
Os caminhos-de-ferro alemães anunciaram que estiveram entre as organizações afectadas pelo ciberataque global, mas que este não teve impacto nos serviços de transporte.A DeutscheBahn afirmou que o sistema de ecrãs das partidas e chegadas nas estações foi afectado.A companhia indicou que providenciou pessoal extra para as estações mais movimentadas para disponibilizar informação e recomendar aos passageiros que verificassem na página de Internet ou numa aplicação no telemóvel as ligações necessárias. O ataque informático de grandes dimensões à escala internacional atingiu principalmente empresas de telecomunicações e energia mas também a banca, segundo a multinacional de serviços tecnológicos Claranet.
 
Prevenção em Portugal
 
Em Portugal, a empresa de energia EDP cortou os acessos à Internet da sua rede para prevenir eventuais ataques informáticos e garantiu que não foi registado qualquer problema. A Portugal Telecom alertou os clientes para o vírus perigoso a circular na Internet, pedindo aos utilizadores que tivessem cautela na navegação na rede e na abertura de anexos no “email”. A PT disse que activou “todos os planos de segurança” e garantiu que a rede e os seus serviços “não foram afectados”.
Em Espanha, a multinacional de telecomunicações Telefónica foi obrigada a desligar os computadores da sede em Madrid, depois de detectar o vírus que bloqueou equipamentos.
O director-executivo da empresa S21sec, empresa espanhola especializada em cibersegurança, disse à agência EFE que o ataque foi “especialmente virulento” porque combina programa malicioso com um sistema de propagação que se aproveita de uma vulnerabilidade detectada nos programas Microsoft.AgustínMuñoz-Grandes explicou que, por exemplo,no ataquecontra a Telefónica, foi usado um “ransomware” que  “encripta e sequestra” todos os ficheiros do computador em que se instala e, em seguida, pede um resgate em “bitcoin”.
 
Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao

Académico destaca dimensão política do Chefe de Estado

Acadmico destaca dimenso poltica do Chefe de EstadoO director do Centro de Pesquisas em Políticas Públicas e Governação Local da Universidade Agostinho Neto, Carlos Teixeira, enalteceu sexta-feira no Uíge a dimensão política, humanística e a liderança do Presidente José Eduardo dos Santos na conquista da paz, reconciliação nacional e reconstrução do país.
 
Perante um auditório com centenas de personalidades, num simpósio promovido pelo Movimento Nacional Espontâneo (MNE) no quadro das celebrações do centenário da cidade do Uíge, o académico destacou o papel decisivo de José Eduardo dos Santos na transição política pacífica e exemplar do poder em Angola.
Carlos Teixeira considerou o Presidente José Eduardo dos Santos “figura incontornável de dimensão política, social e cultural internacional” e recordou que desde muito cedo José Eduardo dos Santos teve sobre os seus ombros a responsabilidade de conduzir os destinos da Nação “e com espírito patriótico e visão política soube ultrapassar os vários obstáculos na busca da paz, da democracia e da reconciliação nacional para o progresso do país e o bem-estar dos angolanos”.
José Eduardo dos Santos liderou o processo que ditou o fim de uma guerra de mais de três décadas em Angola, que resultou num acordo de paz que permitiu a reconciliação nacional, a reconstrução de infra-estruturas, o relançamento da economia e o assumir de um papel preponderante na arena internacional. Angola logrou por duas vezes ser eleita membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 
O modelo do processo de paz em Angola tem servido de inspiração para dirigentes de vários países, que buscam junto do Chefe de Estado angolano, conselhos para tomada de decisões em situação de impasses políticos. Por sua vez, ao falar sobre os direitos socio-económicos e políticos garantidos pela Constituição e dos 15 anos de paz, o deputado da Assembleia Nacional João Pinto disse que  “Angola caminha a passos seguros”, salientando que são “visíveis as conquistas pela população de direitos socio-económicos”. 
O deputado sublinhou que os direitos sociais e económicos consagrados na Constituição atingiram níveis aceitáveis e defendeu que cada cidadão deve contribuir para a sua preservação e desenvolvimento.
 
Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao

Descoberto ímã em escala atômica

Descoberto m em escala atmicaFerromagnetismo bidimensional
 
Cientistas dos Laboratórios Berkeley, nos EUA, descobriram uma propriedade magnética inesperada em um material bidimensional.
 
Esse novo ímã plano e atomicamente fino deverá ter grandes implicações para uma ampla gama de aplicações, como memórias em nanoescala, sensores magnéticos e dispositivos spintrônicos, já que o material é também um semicondutor.
 
"Esta é uma descoberta incrível, [que] abre as portas para explorarmos a física do spin e aplicações spintrônicas em poucas dimensões," disse o professor Xiang Zhang, cuja equipe recentemente fez demonstrações práticas da eletrônica em escala atômica.
 
Magnetismo em escala atômica
 
O material é um cristal de van der Waals 2-D, parte de uma classe de materiais cujas camadas atômicas são tão "soltas" que podem ser descascadas uma por uma com fita adesiva.
 
O que ninguém esperava é que essas camadas individuais possuíssem um ferromagnetismo intrínseco.
 
Na verdade, a descoberta esclarece uma questão de longa data na física quântica - sobre se o magnetismo sobrevive quando os materiais são miniaturizados até se tornarem bidimensionais. Há meio século, a resposta mais aceita pelos cientistas se baseia no teorema de Mermin-Wagner, que afirma que, como os materiais 2-D carecem de anisotropia magnética - um alinhamento direcional dos spins dos elétrons no material - eles não poderão ter ordem magnética.
 
"Curiosamente, descobrimos que a anisotropia magnética é uma propriedade inerente do material 2-D que estudamos, e devido a essa característica nós conseguimos detectar o ferromagnetismo intrínseco," disse Cheng Gong, principal autor da descoberta.
 
Cristais de Van der Waals
 
As forças de Van der Waals são forças intermoleculares de atração que não emergem das ligações covalentes ou iônicas típicas que mantêm as moléculas coesas - são elas que permitem que as lagartixas andem pelas paredes, por exemplo.
 
Por decorrência, cristais de Van der Waals são materiais em que as camadas atômicas não estão ligadas umas às outras através de ligações químicas tradicionais, o que permite que elas sejam facilmente esfoliadas com uma fita adesiva - foi assim que nasceu o grafeno, o mais conhecido cristal de Van der Waals, que valeu o Prêmio Nobel de Física em 2010.
 
Cheng Gong estima que, para este estudo, ele descascou mais de 3.000 flocos de telureto de cromo-germânio (CGT, ou Cr2Ge2Te6). Embora o CGT seja conhecido há décadas, os pesquisadores afirmam que seus flocos em 2D poderão representar uma nova família de cristais de van der Waals com largas aplicações tecnológicas.
 
Fonte: http://inovacaotecnologica.com.br

MPLA quer manter a tradição

MPLA quer manter a tradicaoO candidato do MPLA ao cargo de Presidente da República nas eleições gerais de 23 de Agosto próximo apresentou-se ontem à população de Malanje.
 
Milhares de pessoas acorreram ao Largo dos Caminhos de Ferro de Luanda (CFL), adjacente ao estádio do Ferroviário, e perante elas o candidato reafirmou o compromisso do partido no poder com a expansão da agricultura e o desenvolvimento de Angola. Dirigindo-se também na língua nacional quimbundo, para fazer chegar a sua mensagem à grande moldura humana que tem marcado os seus comícios de pré-campanha eleitoral, João Lourenço apontou as dificuldades no escoamento de produtos agrícolas como um dos grandes problemas da agricultura angolana.
Ao recordar a importância histórica de Malanje e depois de considerar a província de Malanje um símbolo de resistência à dominação estrangeira, citando nomes como o do Rei Ngola Kiluange, da Rainha Nzinga Mbandi e outros, João Lourenço, vice-presidente do MPLA, prometeu construir monumentos nos sítios onde andaram a combater esses soberanos históricos, visando dignificar essas figuras que muito inspiraram a Independência de Angola.
“Esta província é de heróis, de gente que nunca aceitou a subjugação”, disse João Lourenço para a multidão, ao mesmo tempo que apontava o bem-estar de todos os angolanos como um dos grandes desafios actuais do MPLA, pedindo por isso que o povo renove a sua confiança no partido que melhor assegura o desenvolvimento de Angola nos seus mais variados aspectos.
Destacando sempre os esforços desenvolvidos pelo Executivo liderado pelo Presidente José Eduardo dos Santos que garantiu a paz e a estabilidade e  continuou a trabalhar para a reconstrução e do progresso o país, o candidato do MPLA lembrou que vai ser necessário prosseguir esse esforço já feito, reforçando a infra-estrutura económica e a desminagem, incrementando a actividade empresarial e o turismo e dando à juventude emprego digno, habitação adequada, saúde e educação.
O primeiro candidato presidencial a apresentar-se na corrida ao Palácio da Cidade Alta e principal favorito nas eleições incentivou os camponeses a produzirem mais, tanto para o consumo interno como para a exportação, e voltou a defender uma maior aposta na agro-indústria através da industrialização da produção agrícola nacional em aumento notório.
Sobre a necessidade de aumentar a capacidade de distribuição de energia eléctrica, João Lourenço considerou Malanje uma província privilegiada, por possuir as barragens de Capanda e de Laúca – que em breve devem melhorar o fornecimento de energia eléctrica a todo o país – mas acentuou que a construção de mais centrais de aproveitamento hidroeléctrico ao longo da bacia do médio Cuanza vai ser importante porque irá relançar a actividade económica e agro-industrial angolana.
A localização privilegiada da província de Malanje foi apontada por João Lourenço como condição fundamental para o desenvolvimento provincial, por ser uma continuidade do Planalto de Camabatela, e por ter ligação a outras regiões.“De Malanje vai-se com facilidade para as províncias do Bié e do Huambo, assim como para o Leste do país. Essas características  são essenciais para o desenvolvimento da região”, disse o candidato, revelando um perfeito e  pormenorizado conhecimento do território nacional.
“Vamos prestar muita atenção ao investimento privado”, disse por outro lado, quando se referia à actividade empresarial na agro-indústria, recordando as potencialidades agrícolas desta província de Malanje, por possuir boas  terras, muita água e um bom clima. “Malanje hoje já assiste a esse processo de transformação agro-industrial, concretamente no projecto da BIOCOM, onde a cana-de-açúcar aí produzida permite ao fornecimento do açúcar que hoje já é consumido no mercado nacional”, referiu o candidato presidencial, para quem a industrialização dos produtos vai dar um “valor acrescentado” aos produtos saídos do campo.
 
Turismo em Malanje
 
Malanje dispõe de inúmeras potencialidades económicas, mas entre elas a que dá maior visibilidade à província é o turismo representado pelas majestosas Quedas de Calandula, as Pedras Negras de Pungo Andongo, as Quedas dos Bem Casados, a mesa da Rainha NJinga MBande, lembrou o candidato a Presidente da República. João Lourenço aconselhou a não se desperdiçar esse grande potencial turístico que a natureza soube colocar nesta região de Angola. “Turismo não é só no litoral. Malanje tem atracções turísticas ímpares  capazes de atrair turistas de todo o mundo”, acentuou ele, lançando o desafio ao empresariado privado para investir na construção de hotéis e permitir a acomodação de turistas.
Para o candidato João Lourenço, com um investimento sério no domínio turístico, a província de Malanje pode arrecadar muitas receitas e ajudar a equilibrar a balança económica do país.
Noutra tónica presente no seu discurso pré-eleitoral, João Lourenço voltou a referir-se ao futuro dos jovens no que toca ao emprego e apontou para a necessidade do aumento dos postos de trabalho que permitam melhor rendimento e estabilidade social no seio das famílias, da melhoria da saúde e da educação e garantiu o aumento da oferta de mais habitações.
“Malanje vai ter a centralidade que estão a pedir”, disse, arrancando efusivos aplausos do público. A questão da nova centralidade para Malanje foi abordada durante o primeiro dia da visita do candidato, durante um contacto com apoiantes da candidatura, e levou mesmo a que a caravana que acompanha João Lourenço tivesse de parar para ouvir a aclamação da população que cercou a viatura em que seguia. “Promessa é dívida. Estamos a dizer que vamos honrar com o nosso compromisso, para conferir maior conforto à população no domínio habitacional”, reafirmou o dirigente político.
 
Tradição do MPLA
 
A província de Malanje é uma praça tradicional do MPLA. Nas últimas eleições, realizadas em 2012, a oposição não conseguiu um único lugar por esta província, tendo o MPLA levado de vencida os restantes concorrentes por copiosos 5-0.
Seguindo  essa tradição e reforçando o seu apelo ao voto no MPLA e a sua certeza na vitória do MPLA em Malanje, o candidato João Lourenço deu o exemplo de  um estudante que é considerado excelente ao arrancar notas sempre altas, na faixa dos 18 valores.E sustentou que esses 18 valores não podem, por qualquer “força estranha” cair, ao ponto de o estudante recuar para os 10 valores. “Moral da história: nada vai impedir o MPLA de vencer em Malanje. Malanje é aluno de 18. É o exemplo de muitas províncias do país”, assegurou João Lourenço.
Depois do banho de multidão e do acto de massas, João Lourenço visitou uma exposição que   reflecte os esforços dos homens e mulheres de Malanje na actividade económica da província. Os 14 municípios da província mostraram na exposição toda a sua  potencialidade de crescimento. Entre as empresas, a Biocom aproveitou para apresentar a produção e a transformação da cana-de-açúcar em produto acabado.
João Lourenço visitou ainda a Missão do Quéssua. No local, o candidato recordou o grande contributo da Igreja  Metodista Unida na formação de muitos angolanos, entre os quais o  seu pai, que naquela missão fez os estudos primários, tendo  depois seguido para Luanda, onde frequentou um curso de enfermagem.
“Não é por acaso que os enfermeiros e os professores que estudaram nessas missões, no Quéssua e noutras, são aqueles que engrossaram as cadeias da PIDE, que tinha como preferência encarcerar os enfermeiros e os professores considerados os mensageiros da liberdade”, realçou o candidato, cuja mensagem procura ser de coesão nacional e inclusão social.
 
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Europa atenta ao voto francês

Europa atenta ao voto francsOs franceses respondem hoje à Europa, quando votarem se preferem manter-se na União e que continuam a acreditar nos valores de inclusão e solidariedade, e escolhem Emmanuel Macron, o candidato de cariz republicano, ou se, ao contrário, estão desencantados e querem uma mudança radical, e optam então por Marine Le Pen.
 
Marine Le Pen, da extrema-direita, conseguiu assombrar Bruxelas e Berlim, que estão com os olhos postos em Paris.     
Emmanuel Macron, que passou rapidamente de um simples político a candidato da classe republicana, graças à aposta na determinação dos valores europeus e a promessas de criação de emprego, facilidade de financiamento e diminuição de impostos em áreas sensíveis, com o argumento de ser possível captar receitas de forma menos ofensiva aos investidores e aos empresários, liderou as sondagens tanto de opinião como de intenções de voto, o que o torna, a julgar pelos números, no vencedor das presidenciais francesas.
Analistas em matéria de natureza social e cientistas políticos dizem que Emmanuel Macron não é uma boa garantia mas perante as cartas de Le Pen, vão possibilitar que ele alcance o poder e se aproxime do desejo da maior parte dos franceses, um povo  originalmente acolhedor dentro do contexto europeu. A França, nesta linha de pensamento, distancia-se da Alemanha, da Bélgica e até da Inglaterra, pelo número de imigrantes no seu território e o cruzamento de cidadãos da União em Paris, a grande capital da moda e da celebração das artes.     
É neste particular que a candidata Marine Le Pen ofereceu espaço a Emmanuel Macron, que soube aproveitar e colar a adversária às políticas racistas sem a ajuda da União Europeia. Le Pen ficou em dificuldades para se desenvencilhar, e no último dia de campanha foi obrigada a escapar pelas traseiras de uma catedral, empurrada por uma multidão que apelava à França da união e da cordialidade, argumentos contrariados pela extrema-direita, que promete deixar cair tudo isso, em nome de um poder vertical e internacional. Marine Le Pen acredita que esta França, a sua França, inconcebível no imaginário de muitos franceses, é a única forma de retirar o poder das elites e devolvê-lo ao povo, a sua principal promessa de campanha.
Le Pen avisou os imigrantes para que se preparem e aceitem de forma livre deixar a França, pois o país não os aceita e não se permite que façam mais estragos, como, segundo a candidata, os actos de terrorismo e de vandalismo. Marine Le Pen foi mais longe, e promete retirar a dupla nacionalidade a todos, alegando que isso “vai ajudar a Polícia e outras forças especializadas a combater às agressões contra a França”.
Hoje, mais de 80 mil franceses expatriados votam em Bruxelas, para a segunda-volta das eleições presidenciais, o que representa um ataque às políticas da candidata da extrema-direita. Na primeira-volta, a 23 de Abril, o líder do movimento Em Marcha!, Emmanuel Macron, obteve junto destes eleitores uma larga maioria de 35 por cento dos votos, muito à frente da candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, que ficou na quinta posição com cerca de sete por cento dos votos. Raramente as questões europeias ocuparam um lugar tão importante numa campanha presidencial e revelaram uma profunda divisão entre os dois finalistas. O chefe do Escritório de Bruxelas da Fundação Robert Schuman, Charles de Marcilly, citado na imprensa europeia, disse que as expectativas são bastante claras e é a primeira vez que vemos presidentes das instituições a tomarem partido e a apoiar um candidato na noite da primeira volta. “É bastante inovador, pois, normalmente, há um certo recuo, evitando tomar posição e ser acusado de interferência, mas houve um claro apoio a Emmanuel Macron porque ele é pró-europeu e, além disso, está em total discordância com a política proposta pela candidata Marine Le Pen. Charles Marcilly referiu que houve um retorno à ideia de Estado-nação, com negociações entre Estados, mas não se sabe bem à volta de que mesa. Para ele, essa é a visão de Marine Le Pen, que quer o regresso do franco, e não sabemos muito mais. Marcilly disse que há uma visão que continua a ser bastante pró-europeia, mas a candidata da Frente Nacional pediu para retirar a bandeira europeia dos cenários das televisões, enquanto Emmanuel Macron, pelo contrário, assumiu o risco de agitar a bandeira da União Europeia nos seus comícios. A candidata Marine Le Pen queixou-se da interferência de políticos europeus na campanha e que tal, disse, pode ditar o rumo dos acontecimentos, isto é, a vitória nas presidenciais. Le Pen não chegou a falar em fraude, mas deixou a entender que o assunto é muito grave e complexo, a forma como Bruxelas e Berlim posicionaram-se e apelaram aos franceses, como se tratasse de uma corrida eleitoral a cargos na estrutura da União Europeia. 
Le Pen e Macron acusaram-se, no último debate televisivo, com os nervos a flor da pele. A candidata da extrema-direita afirmou que Macron representa a continuidade de Hollande, e que os francesas não podem esperar nada da sua vitória, “porque vai apenas caucionar as políticas de exploração e humilhação, perante uma Europa agressiva e senhora do destino dos franceses”. Emmanuel Macron, o candidato da “república”, chamou a sua adversária de “senhora do medo”: “quando as pessoas olham para si, só encontram medo.” Macron afirmou que com Le Pen o país vai andar para trás, e Paris, a grande capital, pode viver os seus piores tempos, desde que se conhece como um lugar de paixões e de realização de sonhos”.
 
Brexit
 
“A decisão britânica de deixar a União Europeia é uma “tragédia” para a qual a Europa também contribuiu”, considerou na sexta-feira em Florença (centro da Itália) o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. “É uma tragédia”, declarou Juncker em francês, num discurso no Instituto Universitário Europeu de Florença, antes de comentar a eleição francesa.
O presidente da Comissão explicou a sua escolha da língua francesa em Florença, garantindo que o inglês estava, “lenta mas seguramente, perdendo terreno na Europa”. “Os franceses vão votar no domingo (hoje), e eu quero que eles compreendam o que eu digo sobre a Europa e as nações”, acrescentou Juncker, em inglês, antes de mudar para o francês.
No seu discurso, o ex-primeiro-ministro do Luxemburgo também previu negociações difíceis pela frente depois de se reunir em Londres na semana passada com a primeira-ministra britânica, Theresa May. Na quarta-feira, May acusou os “líderes europeus” de tentar interferir nas eleições parlamentares britânicas de 8 de Junho. Ele não fez nenhum comentário directo sobre estas declarações, adoptando um tom conciliador quando falou dos “pontos fracos” da União Europeia. Estes, afirmou, podem “parcialmente explicar o resultado do referendo na Grã-Bretanha”.
“A União Europeia, em muitos aspectos, fez muito, incluindo a Comissão”, reconheceu, citando demasiada regulamentação, muita interferência na vida dos nossos cidadãos”, disse Juncker.
 
Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao